Blog do Fale - Levante sua voz contra a injustiça!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Encontro sobre Governança e Transparência Pública foi um marco histórico para Igreja Evangélica brasileira




Entre os dias 26 e 27 de abril de 2013 cerca de 50 lideranças evangélicas oriundas das cinco regiões do País se mobilizaram em Brasília para o Encontro sobre Governança e Transparência Pública. O evento, articulado com o objetivo de aprofundar a compreensão do tema da corrupção em suas diferentes perspectivas, foi promovido pelas organizações evangélicas Tearfund, Rede FALE, Rede Evangélica Nacional de Ação Social (Renas), Aliança Cristã Evangélica Brasileira, movimento das Igrejas Ecocidadãs, ministério Jeame, Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil (ANNEB) e Evangélicos Pela Justiça (EPJ).

Os debates, que enfocaram a importância da transparência pública no combate à corrupção, contaram com a participação de Daniel Avelino, assessor da Secretaria de Articulação Social da Secretaria Geral Presidência da República; José Moroni, membro do Colegiado de Gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos; Pedro Gontijo, Secretário Executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Lyndon de Araújo, Presidente da Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL); Lizete Verillo, Diretora de Combate à Corrupção da AMARRIBO Brasil; Antonio Augusto, Auditor da Caixa Econômica Federal e membro do Conselho da Transparëncia Brasil, Henrique Ziller, Auditor do TCU e Presidente do Instituto de Fiscalização e Controle  e muitos outros.

Dentre os temas destacados pelos painéis expositivos estavam: reforma política, mecanismos de controle social, estratégias de mobilização social para a criação de políticas públicas, importância de maior participação popular na proposição de novas leis e propostas para um maior engajamento da Igreja no combate à corrupção.

Para Serguem Jessui Machado da Silva, representante da Tearfund Brasil, o Encontro foi “um marco na história da Igreja Brasileira”. Já a secretária executiva da Rede Fale, Morgana Boostel, atentou para a importância da continuidade dos assuntos que foram debatidos durante os dois dias do evento. “O Encontro não pretende se encerrar em si mesmo, a ideia é que ele dê início à processos”, ressaltou Morgana.

O Comitê Facilitador formalizado durante o evento será composto por 11 organizações: Rede FALE, RENAS, EPJ, Ação Jovem (Rio de Janeiro), Aliança Evangélica Brasileira, Igrejas Ecocidadãs, ANNEB, Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), Grupo Evangélico de Ação Social e Política (GEASP), Ação Social Batista e Tearfund. A função do Comitê é facilitar, animar, articular  e mobilizar ações e campanhas dentro  e fora da comunidade evangélica relacionadas à governança e transparëncia pública. 
Falantes presentes no encontro.

Dentre os principais encaminhamentos do Encontro está a decisão de fortalecer a mobilização mundial do "EXPOSED 2013". Os demais encaminhamentos feitos pelos grupos estão em processo de relatoria e serão divulgados em breve. A frase "Ame a Verdade", que  permeou as discussões e debates durante os dois dias do evento, foi adotada pelos participantes como temática central em novas ações de combate à corrupção e incentivo à transparência pública. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Organizações Evangélicas se reúnem com coordenadores da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos


Organizações cristãs evangélicas e ecumênicas se reúnem com coordenadores da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos nesta quinta-feira, 25/04, às 9 horas, na Sala de Reuniões da Mesa da Câmara dos Deputados. No encontro, as lideranças evangélicas vão manifestar apoio aos trabalhos da Frente Parlamentar e divulgar uma carta em que demonstram preocupação com a atuação hegemônica de determinados grupos evangélicos na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal, e a Rede FALE estará presente.

O documento ressalta que “os parlamentares são chamados a fazer bom uso de princípios que venham de suas religiões para o bem geral da sociedade. Devem lembrar também que sua autoridade emana do povo. Assim, não são chamados para defender os interesses da religião A ou B, mas sim os interesses gerais da sociedade”.  Os representantes das organizações evangélicas demonstram preocupação com os efeitos da atuação do deputado Marco Feliciano à frente da CDHM  com maioria de deputados evangélicos, sobretudo em relação aos direitos de minorias.
Falantes na entrega da petição da Rede FALE a liderança do PSC

Assinam a carta a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Evangélicos pela Justiça (EPJ), Presença Ecumênica e Serviço (KOINONIA), Metodista Confessante, Rede FALE e Tearfund.

Participarão do encontro, entre outros, os deputados Nilmário Miranda e Chico Alencar, e o Secretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel dos Santos Rocha.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sem retrocessos! FALE pela aprovação do Estatuto da Juventude!


Nas últimas décadas tivemos grandes avanços quanto às políticas de direitos para a juventude, tais como a criação da Secretaria Nacional de Juventude e consecutivamente do CONJUVE (Conselho Nacional de Juventude), a atenção especial que algumas leis e projetos têm dado, além da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, que abarca parte dos que são considerados Jovens. Contudo, existem algumas dificuldades na implementação das Políticas Públicas de Juventude e na garantia de Direitos específicos, principalmente pelo não reconhecimento da juventude através de um marco legal, dificultando assim o acesso a verbas dentro do orçamento, e direcionamentos específicos para essa parcela da população.
Diante desse quadro, as diversas lutas das juventudes culminam no Estatuto da Juventude, que é um importante instrumento legal para que as diversas demandas juvenis sejam contempladas, e para consolidar e construir de fato uma política nacional de Juventude ao invés de custosas iniciativas isoladas. O Estatuto da Juventude tem como objetivo regulamentar e assegurar os direitos dos Jovens (15 aos 29 anos) tais como direito à cidadania, participação social e política e representação juvenil; à educação, profissionalização, ao trabalho e renda; à igualdade; à saúde; à cultura; ao desporto e lazer; à sustentabilidade e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; à comunicação e à liberdade de expressão; à mobilidade e à segurança pública.
A Rede FALE surgiu a partir da necessidade de incidência política e da luta por direitos, através de movimentos ligados a juventude evangélica/protestante. Desde seu início se identifica e milita a partir do entendimento do jovem como sujeito de Direitos e demandas específicas, tem participado e fomentado debates sobre Políticas Públicas de Juventude, e tem representação junto ao CONJUVE, participando da atual gestão. Diante disso entendemos como imprescindível a aprovação do Estatuto da juventude que tem previsão de ser votado no Senado, em regime de urgência. É importante que o texto, amplamente discutido pelos movimentos juvenis e apresentado pela relatoria do Senador Paulo Paim, seja aprovado de forma integral e sem retrocessos, a fim de que as conquistas que culminaram nessa proposta não sofram uma estagnação.
Entendemos que os interesses de grupos não podem sobrepujar aos de toda a juventude na ampliação dos direitos garantidos no Estatuto. Questões como a meia entrada, que permite o acesso das juventudes a espaços de cultura e lazer, não deve ser limitado nem pela associação a alguma entidade, ou mesmo a definição de um limite de entradas com o subsídio, o que por sinal, teria muita dificuldade de fiscalização.
É urgente a aprovação do Estatuto da Juventude, mas acima de tudo, que o mesmo seja aprovado sem retrocessos, garantindo direitos a todos os jovens!

Rede FALE

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Evangélicos organizam Encontro sobre Governança e Transparência Pública em Brasília

“Corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!” Amós 5:24

De acordo com a Transparência Internacional a corrupção é o abuso do poder público para ganhos particulares. Esta definição é aplicada aos setores público e privado. “Todos sabemos que a corrupção é um fenômeno mundial, sendo mais evidente em alguns lugares do que em outros. Embora tenha um custo para toda a sociedade, são os mais pobres os mais penalizados visto que os serviços de atendimento e de infraestrutura não chegam com a eficácia e a eficiência necessárias por conta da má administração e dos desvios dos recursos”, ressalta Serguem Jessui Machado da Silva, representante nacional da Tearfund Brasil.Com o objetivo de dar ouvidos à voz profética de Amós, um grupo de organizações evangélicas composto pela Tearfund, Rede FALE, Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS), Aliança Cristã Evangélica Brasileira, movimento das Igrejas Ecocidadãs, ministério Jeame, Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil (ANNEB) e Evangélicos Pela Justiça (EPJ) organizam em Brasília – DF, entre os dias 26 e 27 de abril, um Encontro sobre Governança & Transparência Pública. O evento contará com a presença de mais de 50 lideranças evangélicas de diversos estados da federação.

Este encontro se insere em uma mobilização global que ocorre anualmente no mês de outubro com o intuito de envolver os evangélicos de todo mundo nos processos de enfrentamento da corrupção em diferentes e variadas iniciativas. A mobilização para o evento começou em novembro de 2011, quando Tearfund, Rede Fale, Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), Aliança Evangélica, RENAS, A Rocha Brasil, Movimento das Igrejas Ecocidadãs, Ação Evangélica (Acev), Cadi, Ecoliber, Jeame, entre outras, se reuniram para debater o fenômeno da corrupção.

“Reconhecemos os esforços e avanços obtidos na luta por mais transparência e controle social por setores da sociedade brasileira e inúmeros órgãos como a Controladoria Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e setores do legislativo e judiciário. No entanto, faz-se necessária uma mobilização permanente e sistemática da qual a igreja evangélica não pode esquivar-se”, destaca Morgana Boostel, secretária executiva da Rede FALE

O movimento deseja aprofundar a compreensão do tema em suas diferentes perspectivas, seja religioso, econômico, social ou cultural para uma ação mais qualificada com outros setores dos governos e da sociedade no enfrentamento da problemática. Além disso, percebe-se a necessidade de uma mobilização permanente da comunidade evangélica para atuar no combate à corrupção, tanto no seu interior, bem como em outras esferas onde ela se manifesta de forma mais aguda. “Com isso, desejamos criar e manter de forma articulada um grupo de organizações evangélicas que façam contribuições e intervenções no oferecimento de soluções e controle social, especialmente dos recursos públicos destinados à área social”, complementa Morgana.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O sinal de Nínive, Feliciano e nossa responsabilidade


Por Ana Elizabete Machado*


Como afluíssem as multidões, passou Jesus a dizer: Esta é geração perversa! Pede sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. Porque assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração.[...]Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior que Jonas. (Lucas 11. 29, 30 e 32)

Da esquerda para a direita, Damaris Bacon, Ana Elizabete,
Jéssica Ribeiro e Marcel Cintra.
Semana passada pude refletir bastante sobre este texto do Evangelho de Lucas. Sem pretensão de mudar o texto bíblico, mas o que gostaria de enfatizar é “o sinal de Nínive”. Na tradução da Bíblia Judaica Completa o versículo 32 diz: “As pessoas de Ninveh se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois elas abandonaram o pecado e voltaram para Deus quando Yonah pregou, e agora está aqui quem é maior que Yonah”. São palavras do Cristo, o Jesus de Nazaré, que diz que a pregação de Jonas alcançou os ninivitas e eles abandonaram o pecado e voltaram para Deus.
Nesta mesma semana também fui à Câmara Federal, junto aos representantes da Rede FALE entregar a petição ao Partido Social Cristão (PSC), que pedia ao partido que repensasse o nome de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), da Câmara dos Deputados. Foi um tempo bom, em que pude aprender bastante (como sou nova nestes espaços de luta política, observei muito). Ao entregarmos a carta com as mais de 19 mil assinaturas e expor nosso ponto de vista, pedimos ao presidente do partido que nos apresentasse quais eram as qualificações que o PSC via em Marco Feliciano para indicá-lo à presidência da CDHM, já que a escolha do nome foi um processo democrático e interno do partido, como explicado pelo presidente. Nossa pergunta não foi respondida a não ser com os dados de quantidade de eleitores e afirmação de excelente conduta do deputado pastor Marco Feliciano. Num dado momento, a insistência em nossa pergunta (não-respondida) foi tomada como ofensa. Como se sabe, saímos sem resposta e sem o nosso pedido atendido.
Há algo que me faz pensar em associar o sinal de Nínive conosco e a situação que estamos vivendo enquanto evangélicos neste país.
Talvez o sinal que queiramos não vá acontecer, talvez Feliciano continue na CDHM, repito, talvez. E pensar em Nínive e em Jesus me traz esperança porque o sinal de Nínive nos convoca a ouvir a pregação de Jonas e Jesus: “abandonem seus pecados e voltem para Deus!” Acredito que esta mensagem não é só para Marco Feliciano (é também!), mas é para nós (enquanto Rede Fale, indivíduos, membros do Corpo, sinal do Reino e/ou cidadãos brasileiros), que continuamos lutando pelos direitos humanos em todos os nossos variados espaços (inclusive na CDHM, a qual fomos convidados a acompanhar de perto pelo deputado Roberto de Lucena, do PV-SP que participou da reunião, e é um dos membros da Comissão), que esta luta faz parte do nosso abandono do pecado e da volta para Deus. Na compreensão de que esta volta é um processo que deve durar a vida inteira.
A nossa responsabilidade é responder ao sinal de Jonas sendo sinal de Nínive. Através da nossa devoção (voltar para Deus) e da nossa prática (abandonar o pecado) e esta prática que é também continuar lutando para que os oprimidos (órfãos e viúvas contemporâneos) tenham seus direitos garantidos, esta luta vai continuar com o nosso acompanhamento à CDHM e nos nossos espaços de convivência.
“ADONAI prova os corações” (Pv. 17.3b) e clamamos que nossos corações sejam aprovados na luta pela justiça e para que os que “não têm voz” sejam ouvidos. Clamamos que sejamos humanos, como Cristo foi. Clamamos que não demonizemos a nenhum ser humano, de fato, nenhum. Clamamos que sejamos sinal do Reino servindo aqueles que mais precisam. Clamamos por nós, brasileiros, e nossos representantes políticos. Clamamos para não esquecer nossa responsabilidade. Clamamos para não achar que Deus ainda precisa fazer mais um sinal. Clamamos para que o sinal de salvação de Nínive nos alcance e alcance toda a nação.

*Ana Elizabete é cristã, representante da Rede FALE no Conjuve e inicia a articulação da rede em Goiânia. Também participa da ABUB e é professora da rede estadual de educação em Goiás.

domingo, 31 de março de 2013

Alimenta_ação em Cristo: o sentido pascal da Missão da Igreja

Alimenta_ação em Cristo: o sentido pascal da Missão da Igreja




Por Daniela Frozi*



A Páscoa é o momento da Igreja repensar sua missão e sua vocação. A última ceia, a que Cristo celebrou, tinha esse sentido do que foi vivido pelo povo de Deus, do que estava sendo vivido por ele e do que seria anunciado com sua ressurreição. A mesa foi o lugar da palavra de reflexão, do olhar, da celebração, da contrição, da partilha e do novo sentido da Missão da Igreja.


É fascinante pensar na imagem de Cristo, o messias, relacionada com a alimentação e a ação junto à mesa, lugar da comunhão e do serviço. O servir o vinho e o partir do pão alimentam os sentidos e os significados da vida em Cristo. Dá razão, especifica seu projeto e resume o desenho da Missio Dei. A possibilidade de participação real no ato do comer o Pão e beber do vinho é o sentido de uma efetiva partilha do significado de comunhão e serviço. Quem sabe poderia inspirar a Igreja contemporânea?

Os elementos representam sua própria vida que foi partida e compartilhada junto aos que mais sofriam, junto aos excluídos da sociedade e da religião, junto aos pobres, junto aos doentes, junto aos famintos e junto aos que de longe e de perto queriam apenas estar junto com Jesus Cristo.

Viver o dia a dia de forma relacional é um convite Pascal! Sabemos que isso é ir contra uma tendência atual, a de gastar mais tempo com pessoas do que com próprios projetos pessoais ou com desejos egoístas.

A pergunta que de certa forma me angustia na Páscoa não é necessariamente uma questão teológica e sim a questão da vivência dessa Missão Pascal. Qual é o valor das relações humanas na produção de nossa alimentação? Parece não fazer nenhum sentido para essa Igreja discutir a problemática da Alimentação contemporânea.

Por que a Igreja de Cristo não se preocupa com as problemáticas relacionadas às relações de trabalho no campo produtor de nossos alimentos? Talvez porque pensamos nesse alimento desconectado de sua forma de produção? Talvez porque o alimento e a alimentação sejam apenas parte dos artigos de consumo que com o dinheiro ganho com o meu tempo de trabalho eu posso adquirir de uma prateleira de um hipermercado? Ou talvez por acreditar que a alimentação nada tem a ver com a minha fé ou com as relações humanas tão caras ao Cristo Pascal.

Gostaria de ver a Igreja de Cristo dialogando com os pequenos agricultores que produzem nossa comida de todos os dias e também gostaria que essa Igreja gastasse seu tempo conhecendo os agricultores e agricultoras, para entender quais são as problemáticas existentes entre o valor da vida humana e os valores do capital sobre a produção de alimentos relacionados ao Agronegócio?

Gostaria de fazer um convite à Igreja de Cristo a gastar um tempo para se aproximar de quem faz o pão e produz o vinho de nossa celebração pascal. Certamente Jesus nos dias atuais estaria andando não só com pescadores, mas também com os pequenos agricultores, com os indígenas, com os quilombolas e com aqueles mais injustiçados pelo atual sistema opressor.

Ao olhar para o pão, que possamos repensar os processos do cultivo do trigo, da dependência tecnológica para sua produção. Que possamos nos envolver com as questões relacionadas à saúde dos trabalhadores do campo e o risco do uso abusivo de Agrotóxicos, com as baixas condições de trabalho e saúde no campo. Será que isso preocupa a Igreja de Cristo?

Gosto da ideia de pensar em uma Igreja que se preocupa com a sustentabilidade da produção do trigo e da produção da uva e com as suas relações humanas e não-humanas envolvidas com quem os produz e os transforma hoje em Pão e Vinho. A Páscoa também é um convite à transformação da velha matéria-prima para uma nova matéria mais humana e justa.

Assim a renovação do nosso olhar para o Pão e para o Vinho possuirá a perspectiva da Justiça de um Reino de amor que poderá reorientar a Igreja para uma relação humana presente na mesa que alimenta o corpo e nossa ação na sociedade e no meio ambiente.



* Daniela Frozi é doutora em nutrição, tem gasto seu tempo apoiando e construindo políticas públicas da alimentação, especialmente para os que vivem em extrema pobreza no Brasil. É membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (representante de RENAS). Atua na diretoria da ABUB como Vice-presidente e ainda compõe o Conselho de Referência da Rede FALE.